Colágeno tipo 2 (UC-2) saiba tudo sobre ele neste artigo:

Definição e benefícios

  • Compõe cerca de 50-60% de proteína na cartilagem;
  • Compõe aproximadamente 85-90% de colágeno na cartilagem articular;
  • Pode reduzir dores nos joelhos;
  • Pode reduzir dores nas costas, mandíbula e articulações.
  • Colágeno UC-II (UC2)

O colágeno é uma proteína que faz parte da cartilagem, ossos e outros tecidos em animais e seres humanos. O colágeno tipo 2 é produzido por estruturas chamadas condrócitos, que são a matriz não-celular da cartilagem. Podemos imaginá-lo como um líquido que preenche o interior da cartilagem. O colágeno tipo 2 é sinônimo de suplementos dietéticos como gelatina de tubarão e gelatina. Ele também é comumente conhecido como colágeno UC-II (UC2). Neste caso, o UC-II refere-se ao colágeno proveniente do esterno de frango glicolisado, que é o objetivo desta matéria. O colágeno UC-II é um tipo de colágeno não desnaturado classificado como tipo 2. Ele é encontrado em diversos suplementos para a saúde das articulações, geralmente de duas formas: como um ingrediente autônomo ou em combinação com outros ingredientes.

O colágeno tipo 2 não é processado por processos térmicos ou pela adição de produtos químicos. Ele é simplesmente derivado da cartilagem do esterno de frango junto com outros ingredientes que são inativos. Com base em estudos laboratoriais e clínicos, os fabricantes deste suplemento afirmam que o colágeno não desnaturado na UC-II é diferente do colágeno hidrolisado ou desnaturado porque contém moduladores imunológicos ativos que reduzem a secreção de enzimas que quebram o colágeno tipo 2 e acabam retardando a resposta inflamatória.

Importância do colágeno tipo 2

O colágeno tipo 2 constitui cerca de 50% da proteína cartilaginosa. Quando os níveis de colágeno tipo 2 não estão adequados, a cartilagem é enfraquecida ou para de se regenerar. Como resultado, sem as quantidades adequadas de cartilagem e sem a lubrificação do ácido hialurônico, as juntas acabam “encostando” uma na outra e muitas pessoas experimentam rangidos nas articulações, podendo causar uma variedade de problemas relacionados a dor e inflamação. 

Composição

O colágeno UC-II é formado por vários peptídeos compostos por uma grande quantidade dos aminoácidos glicina e prolina, que estão envolvidos na produção da proteína constituinte do colágeno. O colágeno tipo 2 contém condroitina, ácido hialurônico e o antioxidante proteoglicano. A condroitina é um dos 6 glicosaminoglicanos que ajudam a formar o tecido conjuntivo da pele, dos tendões, da cartilagem, dos ligamentos e da matriz óssea. A condroitina também inibe enzimas como a colagenase, a elastase e a proteoglicanase, que se tornam hiperativas na degeneração das articulações e no envelhecimento da pele, destruindo a cartilagem e o tecido conjuntivo. Os condrócitos também produzem e secretam o superóxido dismutase de cobre, que é uma enzima destruidora de radicais livres. Essa enzima é fundamental para proteger o tecido articular do dano dos radicais livres que ocorre como parte do processo de degeneração articular.

O ácido hialurônico desempenha um papel crítico na manutenção do fluido sinovial articular saudável e na prevenção da degeneração das articulações envelhecidas. Este ácido também atua como eliminador de radicais livres com poder antioxidante e pode ser importante para proteger a pele dos efeitos de envelhecimento da exposição excessiva à luz solar. Já o antioxidante proteoglicano compõe a glicoproteína da matriz da cartilagem. Essa proteína reduz o estresse oxidativo nas articulações que é causado por enzimas atacando a cartilagem, protegendo as articulações.

Formas de colágeno UC-II (UC2)

O colágeno tipo 2 também pode ser derivado de cartilagem articular bovina, mas devido à encefalopatia espongiforme bovina, a popular doença da vaca louca, fontes alternativas do produto são procuradas devido ao risco de infecção. O colágeno tipo 2 pode ser encontrado na forma desnaturada, hidrolisada ou não desnaturada. A desnaturação refere-se a um processo irreversível de desenrolar as cadeias peptídicas dos seus aminoácidos constituintes e é utilizada no processamento de suplementos de proteína de gelatina através do aquecimento. Tal processo, quando realizado até a conclusão, é conhecido por degradar a UC2 em seus aminoácidos constituintes e diminuir seus benefícios. O colágeno não desnaturado, por sua vez, não sofre processos químicos ou de aquecimento e contém os ingredientes ativos para tratamento de condições artríticas.Já o colágeno hidrolisado refere-se ao processo de hidrólise do colágeno, que ocorre quando o colágeno é exposto a condições de aquecimento e tratamento químico para quebrar os peptídeos em frações menores.

Apesar deste processo, os peptídeos menores obtidos ainda apresentam um papel bioativo e estudos têm mostrado propriedades referentes à redução da dor nas articulações para ambos os suplementos em seres humanos, mas o colágeno hidrolisado precisa ser consumido em uma dose oral significativamente maior para ter um papel semelhante ao colágeno não desnaturado.

Para que serve?

A principal finalidade do colágeno UC-II é o tratamento de dores articulares e condições artríticas, como artrite reumatoide e osteoartrite. Muitas pessoas usam colágeno proveniente de aves na medicina. O colágeno de frango, especificamente, é usado para tratar a dor articular associada a muitos tipos de artrite, bem como dor nas costas, dor de garganta e dor após sofrer uma lesão. A artrite afeta milhões de brasileiros e ela é comumente apresentada nas formas das doenças osteoartrite, principalmente nos joelhos, e artrite reumatoide. Além da dor crônica, esses pacientes sofrem com dificuldades de locomoção. 

Como funciona o colágeno tipo 2

O colágeno não desnaturado administrado por via oral funciona estimulando o sistema imunológico saudável para promover articulações saudáveis ​​por um processo chamado de tolerância oral. Este processo ajuda o corpo a diferenciar invasores estranhos (como bactérias) e elementos que são bons para o corpo (como nutrientes). O processo de tolerância oral ocorre no intestino delgado, onde a comida é absorvida. Através de um processo complexo, o tecido linfóide no revestimento mucosal do intestino delgado filtra os compostos que chegam e serve como um “interruptor”, transformando a resposta imune do corpo em substâncias estranhas, dependendo do que é essa substância. No caso do colágeno UC-II de frango não desnaturado, verificou-se que pequenas quantidades (cerca de 10 mg) tomadas oralmente corrigem uma resposta imunitária defeituosa especificamente direcionada para o colágeno tipo 2 presente na cartilagem da articulação óssea, modulando então a resposta do organismo para que ele funcione corretamente novamente.

O primeiro local de atividade após ingestão oral de UC2 em casos de inflamação autoimune está no nível das células imunitárias dendríticas nos intestinos. São áreas que contém uma população grande de células dendríticas tolerogênicas, conhecidas como células T. O termo tolerogênico está relacionado à capacidade de tolerar um antígeno, ou seja, uma molécula que leva à formação de anticorpos específicos através da influência de outras populações de células imunitárias como as células T. A ingestão de doses baixas de colágeno UC-II parece causar uma alteração nestas células dendríticas que promovem a diferenciação das células T numa forma mais anti-inflamatória conhecida como uma célula T reguladora (Treg).

Por meio de um mecanismo complexo de regulação, a Treg é capaz de produzir uma molécula chamada interleucina 10 (IL-10), que por sua vez é capaz de suprimir a interleucina 7 (IL-7). Como a IL-7 é responsável por exacerbar os efeitos do reumatismo, quanto mais células T reguladoras, mais IL-10 serão produzidas e os efeitos da IL-7 serão suprimidos, causando redução dos sintomas da artrite e ao longo do tempo resultando em efeitos analgésicos nas articulações e em redução da atividade inflamatória articular.

Estudos

Pesquisas sobre os efeitos do colágeno tipo 2 em pessoas com artrite reumatoide mostram resultados conflitantes. Algumas mostram que tomar colágeno tipo 2 por via oral durante 3 meses reduz a dor nas articulações e o inchaço. No entanto, outras pesquisas não mostram essas melhorias quando o colágeno UC-II (UC2) é tomado por períodos mais longos de tempo ou em doses mais elevadas. Portanto, segundo essa pesquisa, o UC2 é melhor quando ingerido por período curto de tempo e começa a perder seus efeitos a longo prazo. Outras pesquisas sugerem que o colágeno tipo 2 é menos eficaz do que o medicamento metotrexato para o tratamento da artrite reumatóide. Apesar desses resultados, o colágeno tipo 2 apresenta a vantagem de não ter efeitos colaterais.

UC-II x metotrexato para artrite reumatoide

Desde 2009 é discutido o uso de colágeno UC-II no tratamento da artrite reumatoide. Um estudo realizado na China examinou 500 pacientes com artrite reumatoide. Eles compararam o uso de UC-II com o uso de metotrexato por um período de 24 semanas e encontraram melhorias significativas no quadro dos pacientes que consumiram o colágeno UC-II. Os autores deste estudo acreditam que o colágeno do esterno de frango teve um efeito de imunossupressão ao reduzir a atividade das células T, responsáveis pela atividade imune da doença. Os medicamentos utilizados hoje em dia para o tratamento da artrite reumatóide agem justamente inibindo a atividade das células T. Portanto, há atualmente uma discussão no meio médico e científico sobre o uso do colágeno do tipo II como substituto dos medicamentos.

Outra pesquisa mostra que tomar um produto específico que, além do colágeno tipo 2, contém metilsulfonilmetano (MSM), miristoleato de cetilo, lipase, vitamina C, cúrcuma e bromelina por via oral durante 12 semanas reduz a dor articular em pessoas com osteoartrite. No entanto, não parece apresentar melhoras visuais nos exames de raios X das articulações afetadas. Em um outro estudo clínico piloto, 5 mulheres mais velhas (58-78 anos) que sofriam de dores articulares significativas receberam colágeno tipo 2 não desnaturado (10 mg/dia) por 42 dias. Em outro estudo, pesquisadores da Harvard Medical School descobriram que 6 de 10 pacientes com artrite reumatoide que tomaram colágeno tipo 2 durante três meses apresentaram melhora significativa, sendo que um deles se recuperou completamente. Além disso, não houve efeitos colaterais.

UC-II 40 mg em indivíduos saudáveis

A suplementação com colágeno UC-II também confere benefícios a sujeitos saudáveis que tomam a substância. A suplementação oral de UC-II 40mg não desnaturado por dia (durante 4 meses) em indivíduos que relataram dor nas articulações, mas sem histórico de artrite, mostrou uma eficácia na melhora da amplitude do movimento do joelho, maior tempo para a dor articular ocorrer durante o exercício e recuperação mais rápida. Assim, a baixa dose de colágeno parece ser eficaz para a dor nas articulações durante exercícios físicos. No tratamento osteoartrítico em animais, os ratos alimentados com colágeno tipo II de baixa dosagem (1 a 10 mg/kg do animal) durante 2 semanas pareciam exercer efeitos analgésicos com maior eficácia em 1 mg/kg, ou seja, uma dose baixa já surtia efeitos analgésicos no animal. Em humanos, a suplementação de UC-II 40 mg não desnaturado obtido do esterno de frango em indivíduos osteoartríticos uma vez ao dia durante 90 dias se mostrou eficaz no tratamento da dor e da mobilidade dos pacientes. 

Este estudo comparou o uso de UC-II com o uso de uma combinação de cloridrato de glucosamina (1.500 mg) com sulfato de condroitina (1.200 mg) e encontrou uma maior eficácia com o uso de UC-II 40 mg isolado. Em outro estudo clínico realizado em 2009, UC-II 40 mg foi mais do que 2 vezes mais eficaz do que o consumo de uma dose de 1.500 mg de glucosamina com 1.200 mg de condroitina para melhorar a saúde, o conforto e a flexibilidade das articulações. A dose de UC-II 40 mg superou a combinação de glucosamina com condroitina. Além disso, o uso de UC-II também resultou em uma melhora da qualidade de vida, diminuindo significativamente a dor durante as atividades diárias.

Colágeno hidrolisado

Quanto ao colágeno hidrolisado, também há estudos que provam que a suplementação oral de 10 g diariamente durante 6 meses em indivíduos com osteoartrite reduziu a dor sentida pelos pacientes, mas não obteve resultados significativos quanto à diminuição da rigidez nas articulações e mobilidade. Além disso, a dose exigida é bem maior em comparação com o UC-II.

Benefícios do colágeno tipo 2

De um modo geral, o colágeno UC-II (UC2) pode estimular a produção de colágeno e melhorar a saúde das articulações e cartilagem.

  • O colágeno UC-II possui peptídeos que atuam como blocos de construção que desencadeiam a produção de colágeno natural;
  • Contém condroitina, que pode promover uma resposta de inflamação saudável, bloqueando a enzima que quebra a cartilagem;
  • Contém ácido hialurônico, que ajuda a lubrificar e manter as articulações hidratadas;
  • Pode redirecionar a resposta imune que alveja a divisão da cartilagem;
  • É específico para a reprodução, função e manutenção do tecido da cartilagem;
  • Não tem praticamente nenhum efeito colateral e é altamente tolerável pela maioria dos indivíduos;
  • Auxilia na recuperação de lesões esportivas;
  • Pode aumentar a velocidade de cura da cartilagem após um nariz quebrado, por exemplo;
  • Promove a recuperação de lesões, principalmente no joelho;
  • Beneficia aqueles com problemas auto-imunes relacionados à articulação, como artrite;
  • Melhora e alivia a dor nas articulações.

Agora você já sabe todos os benefícios que o Colágeno tipo 2 pode trazer para a sua vida, lhe ajudando a combater os malefícios e os sintomas da artrite e da artrose.

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